Esquizofrenia

Esquizofrenia

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*Esse texto traz a visão médica sobre a esquizofrenia. Ao final dele você pode conferir um link para o artigo com a visão do paciente sobre esse transtorno*

Infelizmente, a esquizofrenia é a patologia mental mais estigmatizada da psiquiatria. Assim como qualquer doença, existem os casos mais leves até os graves e refratários. São tratados como “loucos” quando a doença está em uma manifestação grave e descompensada e isso é muito negativo pra quem sofre desta patologia. Aqui a nossa ideia é poder dar informações e combater esta falta de informação que leva a preconceitos e os preconceitos que levam a não aceitação do quadro e seu consequente agravamento.

A esquizofrenia faz parte do grupo de diagnósticos do espectro da esquizofrenia entre outros transtornos psicóticos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 23 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem desse transtorno, porém esse número pode ser muito maior. Nesse texto falaremos de características e critérios de diagnóstico da esquizofrenia apresentados na 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico De Transtornos Mentais (DMS-5) da American Psychiatric Association, utilizado como base de diversos transtornos mentais.

Características da esquizofrenia

O sintoma característico da esquizofrenia é a psicose, que basicamente é uma alteração da percepção e do entendimento da realidade, onde ocorrem as alucinações auditivas e visuais, quando o paciente vê e ouve coisas que as demais pessoas não estão vendo nem ouvindo. É comum o relato de que o paciente conversa sozinho (solilóquio), quando ele está conversando com tais vozes. Outro sintoma psicótico é o delírio, que nada mais é do que crenças não reais e que não cedem a argumentação lógica. Além das alucinações e dos delírios, podem ocorrer desorganização do pensamento e do comportamento, desorganização motora grosseira ou anormal, incluindo aqui a catatonia.

Também podem estar presentes os sintomas negativos, quando o paciente fica mais quieto, com diminuição da volição e das vontades, desmotivado, com perda dos interesses. Em outros casos também podem ocorrer perdas neurognitivas (déficits de memória, raciocínio, abstração) e um achatamento ou embotamento afetivo, quando os sentimentos e afetos modulam pouco.

Diagnóstico

Não existe nenhum exame laboratorial que faça esse diagnóstico, marca comum da psiquiatria. Para se fazer o diagnóstico de esquizofrenia, a pessoa tem que apresentar dois ou mais desses sintomas:

– delírios

– alucinações

– fala desorganizada

– comportamento desorganizado

– sintomas negativos

* os sintomas devem incluir pelo menos 1 dos 3 primeiros.

Além disso, é preciso que sinais prodrômicos ou atenuados da enfermidade com prejuízos sociais, ocupacionais ou de cuidados pessoais devem ficar evidentes por período de 6 meses, incluindo 1 mês de sintomas ativos.

Outros diagnósticos diferenciais seriam o Transtorno psicótico breve, o Transtorno delirante, o Transtorno esquizoafetivo, o Transtorno esquizofreniforme e o Transtorno de personalidade esquizotípica. Assim como outros diagnósticos, a esquizofrenia só é confirmada se os sintomas alegados não forem causados por influência de efeitos fisiológicos de alguma substância ou de outra condição médica.

É possível que ocorra sintomas psicóticos em pacientes com histórico de transtorno do espectro autista, em episódios depressivos graves, em retardo mental, após uso de substâncias psicoativas, antes ou após crises convulsivas, em outros transtornos de comunicação iniciados na infância sem que isto seja um quadro esquizofrênico.

Sobre a violência, um mito

A esquizofrenia tem risco relativamente pequeno para comportamento violento. Ameaças de violência e acessos de agressividade são mais comuns do que comportamentos realmente perigosos. De fato, os esquizofrênicos costumam ser menos violentos do que pessoas sem esquizofrenia.

Suicídio e expectativa de vida

Pesquisas indicam que 5 a 6% dos esquizofrênicos cometem suicídio e por volta de 20% tentam cometê-lo, sendo esta a principal causa de morte prematura nesta população. O esquizofrênico possui em média 10 anos a menos de expectativa de vida do que a população geral.

ATENÇÃO: o diagnóstico de qualquer transtorno psiquiátrico só pode ser realizado por um profissional de saúde mental, como o médico psiquiatra. Esse texto tem como objetivo conscientizar sobre características da esquizofrenia, com intuito de incentivar a busca por ajuda e tratamento profissional. A esquizofrenia é uma condição que, caso não identificada ou não tratada corretamente, pode acarretar um agravamento do quadro com prejuízos na qualidade de vida, nas relações, trabalho, com desfecho imprevisível.

Fonte: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 / American Psychiatric Association – 5. ed., 2014

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